Momento político brasileiro

Sociedade brasileira está vivendo um momento de decepção e indignação ante as denuncias envolvendo os partidos políticos, deputados federais e mesmo membros do poder executivo.

As denúncias se sucedem e as comissões parlamentares de inquéritos são instauradas para apuração dos fatos. Também são acionados a polícia federal e o ministério público federal.

Os opositores dos partidos envolvidos se deliciam com as ondas sucessivas de ocorrências que ferem a ética pessoal e partidária.

Políticos tidos como honestos e éticos estão estarrecidos com a avalanche de ocorrências que parecem denegrir partidos e mesmo deputados, alguns até choraram no plenário da câmara dos deputados.

A mídia tem pratos cheios para programas de televisão, para as páginas dos jornais e revistas e a internet participa ativamente do processo. Observa-se que alguns órgãos estão exercendo o direito e o poder de informação no sentido de ajudar a sociedade, outros, simplesmente, satisfazendo seus interesses financeiros, como aves de rapina sobre material nauseabundo.

A reação da sociedade é de indignação. Indignação que se mostra com a passividade da afirmação: “está vendo? Isso é a política! Por isso não sou político. Detesto a política”.

Alguns poucos com indignação afirmando: “o que poderemos fazer? Isso não pode continuar! O sofrido povo brasileiro não merece isso! Vamos nos unir para fazer valer os nossos direitos de cidadania”.

Nós, os espíritas, como cidadãos comuns, estamos numa dessas duas correntes. A maioria, talvez, na indignação silenciosa do: “não sou político, detesto a política. O importante sou eu fazer a minha reforma íntima”.

Mas, vamos buscar as bases da doutrina espírita para analisar a questão, o livro dos espíritos, de Allan Kardec.

Nele encontramos na questão nº. 573: “em que consiste a missão dos espíritos?” Resposta: “em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais”.

A afirmação dos espíritos é peremptória: instruir os homens e melhorar as instituições por meios diretos e materiais.

É óbvio que a prece, a vibração espiritual são importantes e necessárias, porém é preciso instruir os homens e auxiliar o progresso e, por meios diretos e materiais melhorar as instituições da sociedade, neste plano existencial.

Portanto, a negação e a omissão não podem ser a postura mental do espírita.

Então a atitude do espírita, dentro de suas possibilidades, é agir para a melhoria da sociedade, como, também, aspirar a sua educação espiritual.

A afirmação de que não se é político é falsa.

De acordo com a sociologia, o ser humano que participa de uma sociedade é um ser político. De se lembrar que o filósofo grego Aristóteles já afirmava isso.

Como vivemos em sociedade todos os nossos atos são políticos, quer por ação ou por omissão.

Poderemos não ser políticos partidários, isto é, membros inscritos em um partido político – agremiação que tem um ideário em seu estatuto e um programa de ação (pelo menos no papel).

Outra questão é a palavra política, considerada como os atos antiéticos e inescrupulosos praticados por políticos partidários e mesmo membros dos poderes legislativo e executivo, essa é a “politicalha”, “politiquice” ou “politicagem”, que caracterizam tais pessoas como desonestas e mesquinhas, que têm apenas interesses exclusivamente pessoal para atingirem seus objetivos egoísticos.

Conforme conceituação dos dicionários: política é a ciência dos fenômenos referentes ao estado; princípio doutrinário que caracteriza a estrutura constitucional do estado. E nós espíritas temos a admirável conceituação de Bezerra de Menezes, que foi deputado: “para nós a política é a ciência de criar o bem de todos e nesse princípio nos firmaremos (citado pelo Deputado Freitas Nobre, em discurso publicado no diário do congresso nacional, seção i, nº. 98, de 29-08-1981)”.

Poderemos concluir que a política é a ciência e a arte da administração justa para o bem comum.

Não se pode, nem se deve ignorá-la!

Diante daqueles que pretendem usar a política para satisfazer os seus interesses egoísticos, mesquinhos e antiéticos, lembremo-nos da sábia e dura advertência dos espíritos: “porque, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?”.

– por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão”. (questão nº. 932 de o livro dos espíritos).

Eles (os espíritos que formularam a doutrina espírita, sob a coordenação de o espírito da verdade) não querem que sejamos fracos e tímidos ante o mal.

Eles querem, naturalmente, que tenhamos a consciência iluminada pelo espiritismo, no direito de exercermos a nossa cidadania para: “instruirmos os homens, em auxiliar o progresso e em melhorar as instituições, por meios diretos e materiais (v. Questão nº573 de o livro dos espíritos)”.

Para essa conscientização vale, também, o belo poema de alerta, do filósofo e escritor alemão Berthod Brecht:

O analfabeto político

O pior analfabeto é o analfabeto político

Ele não houve, não fala,

Não participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,

O preço do feijão, do peixe,

Da farinha, do aluguel,

Do sapato e do remédio

Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão ignorante

Que se orgulha e estufa o peito,

Dizendo que odeia a política.

Não sabe que de sua ignorância

Nascem a prostituta,

O menor abandonado, o assaltante

E o pior de todos os bandidos,

Que é o político vigarista, pilantra,

Corrupto e explorador

Das empresas nacionais

E multinacionais.

Bertold Brecht
(1898 – 1956)

Aylton Paiva (SP)

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